Leia livros
- Frentes Versos
- 8 de set. de 2020
- 2 min de leitura
Atualizado: 14 de set. de 2020
\\ LIVROS
Que boa ideia seria retomar a máxima da Brasiliense e bradar com veemência: leia livros!
Por André Filipe*, colaboração para Frentes Versos

Era assim que se chamava o periódico lançado em 1978 pela editora Brasiliense, então chefiada pelo editor e agitador cultural Caio Graco Prado. Inspirada no New York Review of Books, a publicação fora idealizada como ferramenta para ativar um debate público em torno do livro e de seu papel pela redemocratização do país. O Leia Livros foi uma semente do que no ano seguinte se tornaria a tradicional coleção Primeiro Passos, que até hoje pode ser facilmente encontrada em sebos e bibliotecas.
Além da Primeiros Passos consigo puxar da memória outras célebres coleções que fizeram parte não apenas da minha vida, mas de muita gente: o Círculo do Livro, a série Vaga-Lume, as publicações Folha, o Clube do Livro, Literatura em Minha Casa, coleção Saraiva, etc. Algumas já extintas e outras que ainda resistem ao tempo com algumas modificações, mas com o mesmo brilho e força. Quem não se lembra dos versos de Castro Alves que estampava a contracapa de alguns volumes escolares:
Oh! Bendito o que semeia livros, livros à mão cheia, e manda o povo pensar! O livro, caindo n’alma, é germe que faz a palma, é chuva que faz o mar.
José Midlin, um dos maiores propagadores do livro no Brasil e dono de um acervo de aproximadamente 38 mil obras, dizia que todos nós construímos uma biblioteca interior, alicerçada sobre uma relação afetiva com títulos, personagens, autores. Concordo com ele. A leitura nos dá um sentido espiritual e amplia nossos horizontes, e até mesmo o manuseio do livro nos proporciona um prazer físico, além de outras peculiaridades que cultivamos em nossos rituais particulares.

Por que estou divagando com essas lembranças? Explico. Lendo as notícias sobre a proposta do atual governo para taxar o mercado editorial – medida que há de encarecer o livro e tornar o acesso a ele ainda mais restrito -, penso em como esse objeto é, não apenas fundamental para a formação cultural e progresso de todo o país, mas um símbolo de memória e afeto. Está sempre pronto a oferecer generosamente seu sabor a quem o quiser, nos permitindo viajar sem sair do lugar, explorar coisas inimagináveis e infinitas. E, quando fechado, permanece na estante aguardando silenciosamente e sem cobranças a nossa atenção. Que boa ideia seria retomar a máxima da Brasiliense e bradar com veemência: "leia livros!"
Coincidentemente reencontro hoje um pequeno volume que carrego comigo há algum tempo, intitulado A Paixão pelos Livros, uma edição da Casa da Palavra, de 2004. Nele estão contidos depoimentos, crônicas contos e frases que têm como protagonista, evidentemente, o livro.
*É jornalista
(Os textos de colaboração não expressam necessariamente a opinião da FV)
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