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COPA DO MUNDO: No bate-bola sobre 1958, Ruy Castro rememora mitos e lendas da Copa

  • Foto do escritor: Frentes Versos
    Frentes Versos
  • 27 de jun. de 2018
  • 3 min de leitura

Atualizado: 10 de abr. de 2020

\\ LIVROS


Muito além do meio de campo, Copa de 1958 consolidou um legado de boas histórias para todas as Copas


Por Gabriel Solti Zorzetto, Colaboração para Frente & Versos

(Foto/reprodução)

SÃO PAULO – Na última terça-feira, 26, em evento gratuito no Museu do Futebol, o escritor e jornalista Ruy Castro, colunista do jornal Folha de S. Paulo, compartilhou, sob uma perspectiva pessoal, suas experiências na Copa de 1958 sob o impacto do primeiro título mundial conquistado pela seleção brasileira, comandada pela geração de Pelé e Garrincha.

A palestra promoveu a exposição “A Primeira Estrela: o Brasil na Copa de 1958” – em cartaz até o dia 9 de setembro no Museu do Futebol – que apresenta sob diferentes formatos a Copa de 1958.


Ruy Castro é autor do livro “Estrela Solitária – um brasileiro chamado Garrincha” (Companhia das Letras, 1995), biografia de um dos maiores nomes do Brasil na conquista de 1958. O Mundial vencido pela seleção na Suécia, aliás, é tema recorrente na produção do escritor e jornalista, que foi um dos primeiros nomes consultados pelo Museu do Futebol para a exposição.


Ao longo do monólogo, Ruy fez questão de derrubar alguns mitos encrustados na nossa cultura popular, como, por exemplo, o de que muitos dos jogadores da seleção teriam deixados dezenas de filhos na Suécia durante os meses de junho e julho daquele ano. “Isso não procede”, conta Ruy, “O único que realmente teve um filho na Suécia foi o Garrincha, só que um ano depois, em 1959. Ele teve um rápido romance com uma sueca e acabaram tendo um filho, que eu conheci pessoalmente há alguns anos, é a cara do pai. Infelizmente ele me disse que é um ‘perna de pau’ e quem joga bem mesmo é o filho dele, o neto do Garrincha”.


Outra passagem histórica foi quando, na final da Copa, contra os anfitriões, o Brasil teve momento decisivo para o curso do futebol brasileiro e para o amadurecimento do país. A Suécia marcou um gol no início, o que era sinal de pânico e desequilíbrio emocional para a seleção, já traumatizada pelo fracasso da Copa de 1950. A lenda consta que, naquele momento, Didi, com notável determinação e frieza, caminhou devagar até o gol, pegou a bola do fundo da rede, botou embaixo do braço e andou calmamente ao meio de campo orientando o time para o reinício do jogo. “Vamos acabar com esses gringos, que eles não são de nada! ”, teria dito o meia da seleção. Depois disso, o Brasil não só virou, como aplicou uma goleada de 5 a 2 e sagrou-se campeão.


Ruy ratificou o episódio e fez uma ressalva: “A história é verdadeira. Só que muita gente se esquece que foi o Bellini (zagueiro e capitão) quem foi buscar a bola no fundo da rede, daí ele entregou para o Didi, que realmente protagonizou esse momento que conhecemos.”. “Na seleção de hoje não temos um líder como o Didi. Além de um jogador extraordinário, era o verdadeiro cérebro daquele grupo. ”, completou.


O autor também relembrou suas emoções ao ouvir a Copa no rádio, quando caminhava pelas ruas cariocas: “Nós ‘víamos’ os jogos pelo rádio. Os locutores eram excepcionais: Waldir Amaral, Jorge Curi, Antonio Cordeiro, Oduvaldo Cozzi. Me lembro vividamente quando andava pelas ruas do Rio e o som do rádio me acompanhava. Você podia ouvir um jogo inteiro apenas andando na rua, porque as casas ficavam com as janelas abertas e todas tinham um rádio sintonizado no jogo do Brasil. E, no meio da semana, lá pela quarta-feira, podíamos ver lances das partidas no cinema. Sem falar nos jornais e revistas, que saíam poucas horas depois dos jogos e nos contavam o jogo inteiro, minuto a minuto. ”


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(Os textos de colaboração não expressam necessariamente a opinião da F&V)

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