"Cego" e outros poemas
- Frentes Versos
- 23 de out. de 2020
- 2 min de leitura
\\ POEMÁRIO
Por J.P Schwenck*, colaboração para Frentes Versos

Cego
Não chega ser doentio
Mas esse seu amor radioativo
Deixa em mim um vazio
Que não é de um só motivo.
Você se diz violeta
Vai ver que você amadureceu
Na sua oitava melhor faceta
Você me surpreendeu.
Esse seu lado atual chega a ser tão frio
E essa frieza chega a me absorver
Esse teu lado atual chega a ser tão sombrio
Que eu até não consigo ver.
Dentro de Si
Dentro de si
Os sentimentos correm
A gente nunca sabe
A gente sempre esconde.
Dos outros, a gente sempre finge
Que tá tudo bem
Mas sempre a maquiagem escorre.
Dentro de si a tristeza
Se faz assim presente
Até dos íntimos.
A gente expressa um sorriso forçado
A gente se apaixona e ao mesmo tempo fracassa
Por viver um lance não correspondido
E enquanto a pessoa ao nosso lado não percebe a gente tenta relevar
E contar os dias, esperando que um dia ela perceberá
Que ela enfim dará conta
Dará o primeiro passo
E a gente pensa que tudo isso acontecerá
Mas a gente se ilude
A gente se mata
A gente se corrói.
Dentro de si a mentira festeja
O consciente planeja
Mais um dia, que seja mais um dia
Que a gente tente relevar tudo aquilo que remoeu à noite
Tudo aquilo que causou mais um caso de insônia
As olheiras e o mal estar que a gente tenta disfarçar
O choro forte e a penumbra interna que a gente tende a carregar.
Dentro de si o ser humano, servo sólido, sombra suja e seca surgindo
Segunda feira.
Dentro de si o ser remoto, falso e singelo.
Infinito Líquido
Ato fino
Fino trato
Lado morto
Do outro lado.
Expansão da explosão
A veridicidade da emoção
A parte inacabada de uma velha canção
O recado incompleto, sem endereço, sem identificação.
O hoje é ontem
A vinda vívida da vida vira vinho envelhecido, torpe, mórbido.
Nas sete quedas do amor
Não há pára-quedas que amorteça
Pra que no fim a morte aqueça.
O avião voa
A culpa trovoa
O caçador mata
O magnata engana
Um horizonte em chamas
O tempo-espaço traçado em um diagrama
O errático difama
O erótico, desvaloriza a grana, a dama
E tu, amas?
O Mistério
O que há de mistério nas finuras desse caso? Nas figuras desformes que enxergamos nas sombras Nas silhuetas tortas que vislumbramos nas nuvens Há sempre o mistério. E somente ele. O que há de mistério no padecer desse ciúme? Se só o amor não basta, o que seria da flor sem seu perfume? E é no mistério que ele se desfaz. O que seria do filme sem o vilão? O que seria do sorriso sem a emoção?
O que seria do corpo sem o coração? Fica somente o mistério. (Da vida? Do veneno?) O antídoto ou a estaca? Fica somente o mistério E somente ele.
*J.P Schwenck é um autor carioca nascido no ano N⁰ II do século XXI. Proveniente de uma geração hiperativa e explosiva, ele escreve desde os 12 e produz conteúdo artístico independente e efusivamente. Aos 17, publicou Opus, seu primeiro livro por si próprio. Inspirado na arte contemporânea e no seu cotidiano, sua missão é expor a sua visão do mundo que lhe absorve e transpor sua liberdade artística nas páginas em branco.
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