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"Cego" e outros poemas

  • Foto do escritor: Frentes Versos
    Frentes Versos
  • 23 de out. de 2020
  • 2 min de leitura

\\ POEMÁRIO


Por J.P Schwenck*, colaboração para Frentes Versos


"Rhythm" (2013), de Alexey Menschikov.

Cego

Não chega ser doentio

Mas esse seu amor radioativo

Deixa em mim um vazio

Que não é de um só motivo.

Você se diz violeta

Vai ver que você amadureceu

Na sua oitava melhor faceta

Você me surpreendeu.

Esse seu lado atual chega a ser tão frio

E essa frieza chega a me absorver

Esse teu lado atual chega a ser tão sombrio

Que eu até não consigo ver.


 

Dentro de Si

Dentro de si

Os sentimentos correm

A gente nunca sabe

A gente sempre esconde.

Dos outros, a gente sempre finge

Que tá tudo bem

Mas sempre a maquiagem escorre.

Dentro de si a tristeza

Se faz assim presente

Até dos íntimos.

A gente expressa um sorriso forçado

A gente se apaixona e ao mesmo tempo fracassa

Por viver um lance não correspondido

E enquanto a pessoa ao nosso lado não percebe a gente tenta relevar

E contar os dias, esperando que um dia ela perceberá

Que ela enfim dará conta

Dará o primeiro passo

E a gente pensa que tudo isso acontecerá

Mas a gente se ilude

A gente se mata

A gente se corrói.

Dentro de si a mentira festeja

O consciente planeja

Mais um dia, que seja mais um dia

Que a gente tente relevar tudo aquilo que remoeu à noite

Tudo aquilo que causou mais um caso de insônia

As olheiras e o mal estar que a gente tenta disfarçar

O choro forte e a penumbra interna que a gente tende a carregar.

Dentro de si o ser humano, servo sólido, sombra suja e seca surgindo

Segunda feira.

Dentro de si o ser remoto, falso e singelo.


 

Infinito Líquido

Ato fino

Fino trato

Lado morto

Do outro lado.

Expansão da explosão

A veridicidade da emoção

A parte inacabada de uma velha canção

O recado incompleto, sem endereço, sem identificação.

O hoje é ontem

A vinda vívida da vida vira vinho envelhecido, torpe, mórbido.

Nas sete quedas do amor

Não há pára-quedas que amorteça

Pra que no fim a morte aqueça.

O avião voa

A culpa trovoa

O caçador mata

O magnata engana

Um horizonte em chamas

O tempo-espaço traçado em um diagrama

O errático difama

O erótico, desvaloriza a grana, a dama

E tu, amas?


 

O Mistério

O que há de mistério nas finuras desse caso? Nas figuras desformes que enxergamos nas sombras Nas silhuetas tortas que vislumbramos nas nuvens Há sempre o mistério. E somente ele. O que há de mistério no padecer desse ciúme? Se só o amor não basta, o que seria da flor sem seu perfume? E é no mistério que ele se desfaz. O que seria do filme sem o vilão? O que seria do sorriso sem a emoção?

O que seria do corpo sem o coração? Fica somente o mistério. (Da vida? Do veneno?) O antídoto ou a estaca? Fica somente o mistério E somente ele.



 

*J.P Schwenck é um autor carioca nascido no ano N⁰ II do século XXI. Proveniente de uma geração hiperativa e explosiva, ele escreve desde os 12 e produz conteúdo artístico independente e efusivamente. Aos 17, publicou Opus, seu primeiro livro por si próprio. Inspirado na arte contemporânea e no seu cotidiano, sua missão é expor a sua visão do mundo que lhe absorve e transpor sua liberdade artística nas páginas em branco.

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