Relatos de quarentena - Elisabeth Bennet
- Frentes Versos
- 28 de set. de 2020
- 1 min de leitura
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Passo os dias entre os livros para me distrair, a maioria Literatura Inglesa do século XVIII, gostos peculiares, mas sei que você entenderia
Por Redação Frentes Versos

São Paulo, 20 de maio de 2020
Querida Jane,
Sinto sua falta. Espero que esteja passando bem e encontrando algum entretenimento. Está melhor do resfriado? Ficamos todos muito preocupados em saber de seu mal-estar.
Como fico descontente em pensar que estamos tão próximas e mesmo assim não podemos nos ver! Uma baldeação e quinze estações separam a Penha de Pinheiros. Quando você saiu de casa para passar uns dias, não contávamos com essa situação.
Passo os dias entre os livros para me distrair, a maioria Literatura Inglesa do século XVIII, gostos peculiares, mas sei que você entenderia. Escrever e receber cartas têm sido um grande consolo. Coloco a máscara e caminho aos correios, única oportunidade de sentir o vento que bate leve no rosto.
Os problemas financeiros têm se agravado por aqui. Isso nos privou de outra diversão, os passeios de carro. Precisamos economizar gasolina. Mas era tão bom andar pelas ruas vazias, reparar em cada canto desconhecido pelo turbilhão de passantes do cotidiano. Passávamos pelas ruas do centro, descíamos a Consolação. Descíamos viadutos aproveitando as vistas dos rios (só as vistas, porque os cheiros...)!
Mande notícias! Por favor, nada escreva sobre um certo ‘Darcy’. Desde que brigamos e eu o chamei de arrogante, nada mais falamos. Talvez ele seja o tipo que prefere resolver as coisas cara a cara, quem sabe?
Sua irmã,
Elizabeth Bennet.
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