Na Mantiqueira, nova festa literária mistura veteranos e jovens autores
- Frentes Versos
- 25 de ago. de 2019
- 2 min de leitura
Atualizado: 9 de abr. de 2020
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Evento homenageou o escritor mineiro Luiz Vilela e teve como autores Ana Maria Machado e Luiz Ruffato
Por Giovana Proença, enviada especial a Santo Antônio do Pinhal

Imagem: Divulgação Flima
Santo Antônio do Pinhal, município localizado na Serra da Mantiqueira, a 172 km da capital paulista, outrora passagem para Minas Gerais e atual atração turística do estado no inverno, foi o cenário da segunda edição da Festa Literária Internacional da Serra da Mantiqueira: FLIMA.
A festa independente, que contou com financiamento coletivo para realização, está ficando cada vez mais conhecida e, desta feita, homenageou o escritor mineiro Luiz Vilela.
O auditório pequeno e o caráter ainda restrito, comparada a equivalentes como a FLIP, colaborou para maior interação entre o público e os autores. A escritora, Ana Maria Machado, que ocupa a cadeira número 1 na Academia Brasileira de Letras e comemora 50 anos de literatura, era uma imortal transitando entre os frequentadores da festa no sábado (24), bem como Luiz Ruffato, que teve falas de alto teor político na mesa sobre sua literatura engajada.
A FLIMA permitiu ainda a divulgação e abriu espaço para novos nomes da literatura contemporânea. Gabriela Aguerre, que publicou seu livro de estreia, O quarto branco, pela Todavia, contou ao Frente & Versos que o ambiente das festas literárias são um ambiente de aprendizado também para os autores “Você tem que se distanciar do que você fez e criar uma narrativa em cima disso. Falar sobre o livro ajuda a despertar o interesse, e como isso ecoa de volta em mim”
A Serra da Mantiqueira é conhecida por seu turismo gastronômico, sobretudo na temporada de inverno. Santo Antônio do Pinhal é uma das cidades que têm como tradição o roteiro associado ao paladar. Para além da literatura e da beleza natural da cidade, a FLIMA soube aproveitar a deixa e promoveu um nicho de debates sobre literatura e comida, convidando autores e chefes.
Um deles foi Ricardo Barbosa, professor de gastronomia do Senac de Campos do Jordão discorreu sobre a importância do espaço multifacetado para atender diferentes áreas da literatura “O mercado editorial de livros de gastronomia está em constante expansão”,disse quando questionado pela repórter do F&V quanto a relevância da FLIMA enquanto mediador da mesa “Cozinha Caipira e o Território da Mantiqueira”, da programação da FLI+.
A mesa de público mais expressivo ocorreu no domingo (25) com Lília Moritz Schwarcz discutindo a democracia brasileira. A antropóloga e historiadora parabenizou a organização do evento e afirmou que “Nosso presente é assombrado pelo passado”. No movimento de expansão das festas literárias e questionada sobre o mercado editorial, Schwarcz afirma “Em tempos de crise, o melhor investimento é um livro”.
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